Wednesday, October 10, 2018

Empresa brasileira aposta na reciclagem de fraldas e fatura milhões

Você é daquelas pessoas que acreditam que quando termina de usar um produto ou de comer algum alimento o ponto final da embalagem é a lata de lixo? Saiba que há muita gente ganhando dinheiro com aquilo que muitos consideram “lixo”. É o caso de uma empresa que vem faturando cerca de R$ 20 milhões com a reciclagem de fraldas usadas e embalagens de salgadinho. Esses materiais são recolhidos em cem pontos de coleta – encontrados em escolas, supermercados, condomínios – por cooperativas de catadores e 400 empresas parceiras da empresa Boomera em todo o Brasil. Segundo Guilher Brammer, diretor da Boomera, a empresa faz a economia circular em um processo que vai desde o desenvolvimento da embalagem, o recolhimento do descarte, a transformação em outro produto e a sua comercialização em cerca de 15 mil pontos de venda. “A empresa atua em toda a cadeia produtiva, desde a pesquisa de qual material o cliente poderá escolher para seus novos produtos, a gestão da logística reversa dos resíduos gerados, a parceria com cooperativas de catadores, até dar nova vida a esses materiais na nossa fábrica e vender os produtos reciclados”, disse o empresário ao Uol. O que pode ser reciclado São várias as matérias-primas usadas na reciclagem que viram outros produtos, como: embalagens de salgadinhos, chocolate, café, biscoito e ração – viram pallets plásticos e lonas; resíduos eletrônicos, como placas e telas de celular – viram cadeiras projetadas pelo designer Marcelo Rosenbaum; resíduos de produtos da marca P&G, como embalagens flexíveis – viram displays de pontos de venda; embalagens de produtos da linha Sou, da Natura – viram embalagens plásticas para a própria Natura; cápsulas de café Dolce Gusto, da Nestlé – viram bandejas para armazenamento de novas cápsulas e vasos para plantio de mudas de café. Como assim, reciclar fralda suja? Em relação às fraldas descartáveis, as fezes e a urina são separados da parte plástica, que é transformada em resinas, mas a empresa ainda não divulgou quais produto serão originados desse material. Reciclar é um sucesso A Boomera, que começou com dois funcionários e hoje conta com 140, teve um faturamento de R$ 20 milhões em 2017 e espera faturar, este ano, o dobro. Ela atende mais de 400 clientes, entre eles empresas como Nestlé, P&G, Natura, Adidas e Unilever. A ideia nasceu da preocupação com o lixo produzido após o uso de qualquer produto na cadeira produtiva. Foi por causa do desperdício que Brammer começou a estudar o impacto ambiental e social que os produtos descartados geram. Muitas empresas têm investido nesse tipo de negócio não apenas por conscientização ambiental, mas motivadas, também, pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, de 2010, conforme explica a consultora do Sebrae-SP Dórli Terezinha Martins. De acordo com a lei, a logística reversa é de responsabilidade das indústrias no pós-consumo. E é o setor de embalagem um dos que mais tem atuado na reutilização de materiais. Essa política ainda não é tão abrangente quanto deveria porque fica condicionada ao desenvolvimento de tecnologias, cujas pesquisas nesse setor ainda são escassas no Brasil, segundo a consultora. Pensado nisso, o Sebrae está desenvolvendo a plataforma Waste Matchcom o intuito de estabelecer relações entre pequenas empresas geradoras de resíduos e possíveis compradores desse material. Como o pequeno empresário tem mais dificuldade de se adequar à legislação, por causa do alto investimento, o Sebrae tomou à frente no desenvolvimento dessa plataforma, que deve ser lançada no início de 2019. A ideia é realmente ótima e deve ser replicada para todo o Brasil!
Tissue on line - 09/10/2018
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