Friday, April 13, 2018

Setor mantém cautela e aguarda para investir

Apesar do avanço da produção, o nível de ociosidade da indústria de motocicletas ainda é alto. Empresas permanecem cautelosas para investir e aguardam confirmação da tendência de retomada.
“Tivemos seis meses consecutivos com resultados positivos. Tudo indica que a retomada está ocorrendo, mas ainda não temos uma leitura clara do futuro. Daqui dois ou três meses poderemos ter uma resposta dos fabricantes”, declarou o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), Marcos Fermanian, em coletiva de imprensa.
O setor, fortemente impactado pela crise em 2015 e 2016, começou a demonstrar sinais de recuperação no ano passado. O diretor executivo da Abraciclo, José Eduardo Gonçalves, aponta que o crescimento nas vendas, especialmente no varejo, deve puxar a produção.
“Não temos dados atualizados, mas a ociosidade chegou a 60% em 2017. Isso deve melhorar, a produção apresenta tendência de alta. Se esse desempenho continuar, talvez o setor tenha que rever a projeção de crescimento anual.”
O balanço do primeiro trimestre de 2018 apresentou desempenho positivo em produção (12,2%), vendas no atacado (8,4%), vendas no varejo (4%) e exportações (45,4%) em relação ao mesmo período em 2017.
“O primeiro período do ano foi mais positivo do que a gente esperava. Mas depois de anos registrando queda, vamos ter prudência. Temos eleições pela frente, há muitas incertezas e isso gera indefinição de como o mercado vai se comportar. Não saber o que está por vir segura a tomada de decisão”, afirma Fermanian.
A entidade não divulgou números sobre mão de obra, mas revelou que existe um pequeno movimento de contratação. “Ouvimos das fabricantes que as demissões foram estancadas. Em 2016, houve muita queda e o início de 2017 foi doloroso, com cortes e planos de demissão voluntária. Agora, algumas contratações estão ocorrendo e se a expectativa for atingida, vão ocorrer de maneira mais efetiva”, disse.
Entre as modalidades de venda no varejo, compras à vista e por consórcio cresceram, enquanto que por crédito direto ao consumidor (CDC) teve queda de 7,5%.
“Ocorreu uma redução de oferta de crédito, mas agora os bancos estão voltando, aos poucos, ao segmento. O que aconteceu é que houve um desabastecimento de veículos nos consórcios e essa pendência foi priorizada’, explica o presidente da entidade. Ele acredita que os números do varejo teriam sido ainda melhores se os estoques de algumas concessionárias tivessem mais produtos.
“As fabricantes estão produzindo mais para atender a essa demanda. Isto está refletindo nos emplacamentos e não no estoque”, relata.
O presidente da Abraciclo diz que existe dificuldade de liberação de crédito para pequenas motos e que é importante estimular a venda por consórcio para consumidores de classes C, D e E. “Para esses consumidores, [o crédito] é cada vez mais limitado. E também existe concorrência de outros bens de consumo. É preciso que exista um trabalho para convencer que a moto é importante e pode ser adquirida pelo consórcio.”
DCI - 13/04/2018
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