sexta-feira, 20 de dezembro, 2013

Kombi tem último dia de produção

Após as idas e vindas envolvendo a legislação do airbag nos últimos dias, que chegaram a abrir a possibilidade de preservação da linha, a produção da Kombi, salvo nova reviravolta, se encerra hoje após 56 anos de história. Os operários saem em férias na segunda-feira e o receio do sindicato dos metalúrgicos é que muitos deles estejam com o emprego ameaçado na volta, marcada para 6 de janeiro.
O último ano da perua foi marcado por campanhas publicitárias emotivas, encontro de aficionados para "velar" o veículo no estacionamento da fábrica em São Bernardo do Campo (SP) e o lançamento de uma edição especial de despedida. Mas a comoção não foi suficiente a ponto de convencer a maior parte dos consumidores a investir num produto prestes a sair de linha - as vendas da Kombi caíram quase 7%, conforme balanço dos emplacamentos registrados entre janeiro e novembro.

Após o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) descartar a ideia de isentar o modelo da instalação obrigatória de novos equipamentos de segurança, o sindicato dos metalúrgicos do ABC, região onde a perua é montada, promete mobilizar outras entidades sindicais em torno da manutenção dos empregos e informou que voltará a discutir o tema na reunião marcada para a segunda-feira com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a Anfavea, entidade que representa as montadoras instaladas no país. A preocupação é com o destino de quase mil operários diretamente ligados à produção do veículo e de outros 3 mil empregados na cadeia de fornecedores.
Já a Volkswagen, fabricante do utilitário, só voltará a se manifestar após uma definição sobre o assunto. Na terça-feira, a posição era de que a montadora avaliaria a manutenção da Kombi no caso de "alteração oficial" da legislação.
Lançada em 1957, a Kombi foi o primeiro modelo da Volkswagen no mercado brasileiro e se tornou o principal veículo urbano para o transporte de pequenos volumes de carga. Em 56 anos de história, as vendas no país somam quase 1,6 milhão de unidades. Em um único mês - dezembro de 1976 -, a Volks chegou a vender 6,6 mil unidades do veículo, a marca recorde.
A longevidade rendeu ao modelo o apelido de "Velha Senhora". Mas até hoje a Kombi é líder no segmento de furgões compactos, com vendas que chegaram a superar 28 mil unidades em 2008 (veja gráfico acima). Sem o modelo, que não tem um substituto imediato, a Volkswagen perde uma participação equivalente a 0,7% do mercado total de carros de passeio e utilitários leves. Considerando apenas os números da marca alemã, a participação do utilitário nas vendas chega perto de 4%.
A Kombi terá de sair de linha porque seu projeto não é compatível com os dois dispositivos de segurança que serão obrigatórios a partir de janeiro: o airbag e o freio ABS. No caso do airbag, o modelo não tem frente para absorver energia, fundamental para acionar o dispositivo. Fora isso, a posição do volante é direcionada para o teto, e não ao peito do motorista para protegê-lo. Isso exigiria uma mudança de angulação do volante, o que, por outro lado, reduziria o espaço ao motorista.
A Volks chegou a testar o funcionamento de airbags no veículo, mas os resultados foram insatisfatórios. As mudanças estruturais necessárias para a introdução dos novos equipamentos seriam, portanto, muito caras e complexas.
Na terça-feira, representantes da indústria, do sindicato do ABC e do governo chegaram a um acordo para "salvar" a Kombi, ao dar a ela mais tempo para se adaptar à regra. Como o modelo não tem competidores nacionais de peso, não houve óbice dos concorrentes em preservar a produção. A ideia, contudo, foi rejeitada pelo Contran no dia seguinte.
Valor Econômico - 20/12/2013
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