sexta-feira, 26 de julho, 2013

Ford cresce acima das projeções e lucro atinge US$ 1,2 bilhão

A exibição de força financeira da Ford, ontem, mostrou que vender carros continua sendo uma atividade em expansão, apesar da instabilidade da economia mundial. Os resultados da Ford no segundo trimestre superaram a maioria das previsões de Wall Street, com as receitas em alta de 15% em comparação ao mesmo período de 2012 e o lucro líquido subindo para US$ 1,23 bilhão. A montadora elevou sua previsão de lucro anual, beneficiada pela diminuição do prejuízo na Europa e pela alta do lucro na Ásia e América do Sul.
O desempenho sobressaiu-se em um trimestre em que a projeção de crescimento médio da receita das 500 maiores empresas de capital aberto dos Estados Unidos é de apenas 1,6%. Esse baixo crescimento reflete o ritmo de recuperação ainda modesto nos EUA, a persistência da má situação econômica na Europa, o esfriamento da China e Índia e os resultados desiguais na América do Sul.
A demanda por novos carros e caminhões, por outro lado, vem crescendo mais, pelo menos por enquanto, e impulsionando a Ford e outras montadoras.
"Esta é uma indústria em crescimento. Cresce 5% ao ano", mais que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, de 2,5% a 3%, disse o executivo-chefe da Ford, Alan Mulally, em entrevista ontem. Apesar dos receios de curto prazo com a desaceleração da demanda na Rússia e China, Mulally prevê que esses mercados vão continuar se expandindo no longo prazo.
A produção mundial de carros e caminhões leves deverá atingir 100 milhões de veículos em 2015, em comparação à atual, de 80 milhões, segundo a empresa de pesquisas de mercado IHS Automotive.
Nos EUA, as fabricantes de automóveis vêm superando o desempenho geral da economia há alguns anos. A produção de automóveis foi responsável por quase 20% do crescimento do PIB dos EUA desde o segundo trimestre de 2009, segunda a economista-chefe da Ford, Ellen Hughes-Cromwick.
Executivos do setor dizem estar confiantes de que as vendas continuarão em alta na China, Índia, Rússia e outros países emergentes, apesar dos sinais de curto prazo de desaceleração nesses mercados. Há 50 países em que o PIB per capita e taxas de propriedade de automóveis relativamente baixas indicam forte potencial de expansão, de acordo com Ellen.
A Ford não é única montadora a projetar aumento na demanda mundial. O executivo-chefe da fabricante alemã de carros de luxo Daimler disse ontem que prevê aumento entre 2% e 4% nas vendas mundiais de carros neste ano, graças à continuidade do avanço nos EUA e à "continuidade de expansão significativa no mercado chinês".
O sucesso da Ford vem sendo sustentado por uma mudança estratégica iniciada quando Mulally assumiu o comando da empresa em 2006. Durante a maior parte dos anos 90 e início dos 2000, o foco da Ford foi fabricar utilitários esportivos e picapes de alta margem de lucro nos EUA, deixando grandes lacunas em suas linhas de produtos principais na Europa e Ásia.
Mulally aprovou um plano multianual de produtos para ter uma "família completa" de veículos nos principais mercados - concorrendo por vendas e receita em segmentos em que a Ford anteriormente não tinha presença. Essa decisão "abriu outra oportunidade para nós", segundo Mulally.
Na Europa, onde o mercado total deve encolher pelo sexto ano, a Ford ganhou participação e interrompeu a queda de suas vendas, graças a novos modelos, como o utilitário esportivo Kuga, e à linha de veículos pequenos - incluindo uma van para uso comercial, uma micro-minivan e um utilitário esportivo supercompacto - todos derivados do projeto básico do subcompacto Fiesta.
O sucesso da Ford é sustentado por uma mudança estratégica iniciada quando Mulally assumiu em 2006
Na Europa, a Ford vem perdendo dinheiro, mas o prejuízo, antes de impostos, encolheu no segundo trimestre para US$ 348 milhões, em comparação aos US$ 404 milhões obtidos no mesmo período de 2012. "A melhora na Europa foi incrivelmente encorajadora", diz o diretor de finanças da Ford, Bob Shanks.
O utilitário esportivo Kuga, conhecido como Escape na América do Norte, ilustra como a estratégia da Ford funcionou. A Ford fabricava o Kuga na Europa, com base em um design europeu, e vendia uma versão maior, sob o nome Escape, nos EUA.
Ao longo dos últimos 12 meses, a Ford lançou novas versões do Escape e do Kuga praticamente idênticas. Neste ano, pela primeira vez, o Kuga começou a ser vendido na China, onde a demanda por utilitários esportivos é forte.
Nos EUA, a Ford viu-se em condições de elevar o preço médio do novo Escape em US$ 1 mil. O lançamento do Kuga na China reforçou ainda mais a receita da Ford. "Nosso crescimento de receita é puxado pela abrangência dos produtos", disse o diretor mundial de vendas e marketing, Jim Farley.
Uma linha mais ampla de carros e comerciais leves está ajudando a impulsionar a receita da Ford de forma mais acelerada que a do mercado como um todo, diz Mulally.
"Vivemos um perfeito ponto de inflexão, em que todas as divisões do mundo inteiro melhoraram no aspecto da receita e no aspecto da margem", disse Mulally. A meta da Ford é realizar um terço de suas vendas na América do Norte, um terço na região da Ásia-Pacífico e um terço na Europa, diz ele.
A Ford não está sozinha em se empenhar para tornar seus veículos em todo o mundo mais semelhantes na plataforma, para poupar mais a partir de economias de escala. No entanto, a Ford acertou em cheio em seu design de estilo e em sua decisão de aumentar a eficiência no consumo de combustível por meio do uso de motores pequenos, turbo, a fim de oferecer aos consumidores mais economia sem sacrificar o desempenho.
Nos Estados Unidos, a Ford fez sucesso com a versão "EcoBoost" de sua picape campeã de vendas F-150, que substitui o tradicional motor V-8 por um motor turbo de 6 cilindros promovido pela Ford como oferecendo mais poder de tração que os modelos concorrentes de oito cilindros. Em parte pelo fato de a EcoBoost F-150 custar mais, o preço médio de venda praticado pela Ford para suas picapes ultrapassa em cerca de US$ 4 mil o do Silverado, da concorrente GM, segundo funcionários da GM.
A Ford está experimentando grande sucesso atualmente, mas ainda tem desafios pela frente, entre os quais superar um legado de bons resultados que deu origem, no passado, a uma gestão inepta.
A marca de luxo Lincoln da Ford tem pequena presença nos Estados Unidos e acaba de começar o que, segundo Farley, será um longo processo de reconstrução.
A montadora ainda depende muito das operações na América do Norte, que produziram um lucro antes dos impostos de US$ 2,33 bilhões no segundo trimestre, em relação aos US$ 2,01 bilhões do mesmo período do ano passado. Na América do Sul o lucro foi de US$ 151 milhões, em comparação aos US$ 5 milhões do mesmo trimestre de 2012.
A Ford vai fechar três unidades de produção na Europa ocidental, das quais duas no Reino Unido, que deixarão de operar esta semana. A montadora começa a obter um retorno de seus investimentos na Ásia destinados a alcançar as concorrentes GM, Volkswagen e Hyundai na região.
Os lucros do segundo trimestre computados pela Ford na Ásia subiram para US$ 177 milhões, revertendo o prejuízo de US$ 66 milhões contabilizado na região no segundo trimestre do ano passado. As vendas na China, que responde pelo grosso do mercado asiático, deram um salto de 47% no primeiro semestre do ano, para 407.721 veículos.
Mulally diz que a Ford deveria ser capaz de sustentar uma taxa de crescimento de 15% ao ano no fluxo de caixa futuro, descontado ao valor presente. O principal para conseguir isso, diz ele, será ser "muito disciplinado em conjugar a produção com a demanda".
A Ford construiu sete novas unidades de montagem na China nos últimos anos, e está sendo erguida mais uma, de acordo com um plano de investimentos de US$ 5 bilhões. Mas na América do Norte a Ford aumentou o número de turnos para elevar a produção em suas unidades já operantes, em vez de construir novas unidades.
Valor Econômico - 25/07/2013
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