sexta-feira, 19 de dezembro, 2014

Produtores de MG criam marcas de origem

Fabricantes de alimentos de Minas Gerais estão investindo na criação de marcas próprias, com selos identificando os itens que produzem, e se preparando para a cada vez maior exigência dos consumidores em relação à segurança alimentar. Não esperam assegurar apenas os aspectos de acesso, das quantidades informadas, de continuidade na entrega e de preços estáveis, mas também em relação, à qualidade dos produtos consumidos.
"O principal objetivo da criação da marca é proteger a qualidade do nosso queijo, garantindo que os consumidores vão adquirir produtos confiáveis, diz o empresário Guilherme Ferreira, produtor de queijo do tipo canastra em São Roque de Minas (MG). "Além disso, estamos abrindo novos mercados, para permitir o crescimento da produção local e atrair investidores."
No início de dezembro de 2014, cerca de 800 produtores do queijo da região da Serra da Canastra, região centro-oeste de Minas Gerais, dos municípios de Bambuí, Delfinópolis, Medeiros, Piumhi, Tapiraí e Vargem Bonita, além de São Roque de Minas, lançaram o selo "Identificação Geográfica", na modalidade "Indicação de Procedência", do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). O objetivo era indicar a origem do produto e reduzir o risco da concorrência de queijos de outra procedência que utilizam a marca "canastra".
"O selo e identidade visual do queijo, além de valorizarem nossa cultura e nossa tradição, garantem ao consumidor a legitimidade da origem do produto mineiro. O objetivo é agregar valor à atividade dos pequenos produtores da região da Serra da Canastra, mantendo uma remuneração suficiente para que as gerações prossigam com essa tradição de se produzir o queijo canastra", afirma o presidente da Associação dos Produtores de Queijo da Serra da Canastra (Aprocan) João Carlos Leite.
Um mês antes, em novembro de 2014, em São Gotardo (MG), cerca de 200 quilômetros da Serra da Canastra, também no centro-oeste do Estado, aproximadamente 400 produtores de hortifrutigranjeiros lançaram marca própria dos itens produzidos na região.
Agora, os hortifrutigranjeiros produzidos nos municípios de São Gotardo, Ibiá, Campos Altos e Rio Paranaíba recebem o selo "Região de São Gotardo", a marca própria da região. Entre os produtos que vão receber a marca estão a cenoura (a região é responsável por cerca de 30% da produção nacional), o alho (cerca 20% da produção nacional) e o abacate (cerca 10% da produção nacional).
"A marca própria tem o objetivo de unir os produtores da região de São Gotardo em uma só causa, com propósito único e visão de futuro, que está em consonância com as tendências de mercado. O selo garante a procedência, o que, por sua vez, garante também a sua qualidade", diz produtor Jorge Kiryu, presidente do Conselho Regulador da Marca Região de São Gotardo.
Os cerca de 400 produtores estão distribuídos em grupos e organizados em duas cooperativas: a Cooperativa Agropecuária do Alto Paranaíba (Coopadap) e a Cooperativa de Agronegócios do Cerrado Brasileiro (Coopacer). Há dois anos, numa preparação para o lançamento da marca própria, essas duas cooperativas em parceria com o Sebrae Minas criaram um programa de gestão avançada para os produtores, que envolveu ações junto aos hortifruticultores para implantação nessas propriedades de uma administração dos negócios, que possibilitasse, ao mesmo tempo, um controle apurado de indicadores, como custos, produtividade, vendas e faturamento, e a sustentação de um rigoroso controle da qualidade dos produtos.
"A segurança alimentar é a maior preocupação dos consumidores. A atenção à qualidade e à origem dos produtos é uma tendência inevitável de mercado em todo o mundo. Não há como fugir disso. Estamos nos antecipando a uma situação que, cedo ou tarde, vai se impor também no Brasil. As pessoas querem saber o histórico dos produtos que consomem", diz Kyryu.
O produtor, explica, que a ervilha, por exemplo, quando enlatada, é o item mais barato contido no produto. "A lata, o rótulo e até a água no recipiente têm um custo maior. A ervilha é o item que custa menos. Isso revela a importância, não só da necessidade de agregar valor, mas de colocar no rótulo, bem aos olhos do consumidor, a origem daquele produto. O seu histórico e a cadeia de fabricantes", afirma.
"É necessário que estejamos preparados para um mercado cada vez mais exigente. Dentro de uma, duas décadas, a rastreabilidade do produto será uma coisa comum. Temos de responder a isso", diz Kyryu.
Valor Economico
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