terça-feira, 22 de dezembro, 2015

Novas indústrias de sucos encontram nicho e ganham mercado no Brasil

A tradicional frase: "na crise encontramos oportunidades" foi levada a sério pelas indústrias de pequeno e médio porte fabricantes de suco de laranja. Em um ano de safra menor e redução no poder de compra das famílias, algumas companhias viram no chamado suco 100% uma saída para se manter no mercado.
Longe dos grandes centros urbanos, estas empresas têm optado pela verticalização, unificando todos os elos do processo produtivo. "Em 2015 vimos um avanço bem interessante em termos de volume de vendas por estarmos em um movimento de expansão no que se refere à nossa presença geográfica no Brasil. Apesar do cenário macroeconômico não ser dos melhores, ajustamos o nível de preço do produto na prateleira e conseguimos manter o crescimento", conta Paulo Pratinha, sócio da Sucos Prats.
Com o plantio todo concentrado no Paraná, a Prats atende seu estado de origem, além de Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, oeste de São Paulo, Mato Grosso, Triângulo Mineiro e Goiás. Para 2016 a empresa projeta expansão para o Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e as demais regiões de Minas Gerais. Pratinha acredita que o consumidor estava carente de um produto de boa qualidade, que entregasse uma experiência de sabor o mais próximo possível da bebida proveniente da fruta fresca. Por esse motivo, aposta no suco do tipo 100%, refrigerado, cujo nível de industrialização é inferior ao dos tradicionais néctares.
Dados da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) indicam que o néctar manteve a liderança entre os sucos consumidos nos últimos dez anos, somando 697 milhões de litros. No entanto, quando se fala em sabor laranja, o crescimento médio dos néctares avançou 106%, contra um ganho de 186% na bebida 100%. No período, os refrescos, de produção doméstica, aumentaram apenas 52%. "Sem sombra de dúvida, você tem uma classe média disposta a comprar um produto um pouco melhor. Apesar de termos amplo acesso à fruta fresca, tem uma questão de qualidade e de conforto também. A vida tanto nas capitais quanto no interior está mais corrida", explica o diretor executivo da entidade, Ibiapaba Netto.
Longe da cidade
As margens de lucro das grandes redes varejistas são maiores nas capitais. Com isso, as cidades do interior foram a melhor opção para dar a largada neste mercado. No caso da Prats, para manter o crescimento de vendas, as margens da indústria ficaram ainda menores para dar espaço a uma redução de preço ao consumidor. "Em volume de litrada crescemos mais de 70%. Hoje temos 2,5 mil hectares de laranja plantada, em torno de 3 milhões de caixas. Vamos renovar os pomares e aumentar a produção no próximo ano", afirma Pratinha.
Em Bebedouro (SP), a Jacob Citrus é mais um caso de verticalização. "Nossa ideia é fazer uma venda personalizada de produtos. O mercado está na faixa de 60 milhões de litros, há espaço para aumentar. O preço assusta um pouco as pessoas por ser superior, mas existe uma tendência de água e suco integral entrando contra o néctar e o refrigerante", avalia Júlio Jacobsen, sócio da empresa. "O nosso crescimento se dá porque vamos aumentando o leque, começamos em Bebedouro, hoje temos em média 35 distribuidores ativos", diz.
Uma das marcas desta companhia, a Jacobinho, trabalha apenas com laranjas descascadas por uma máquina desenvolvida e patenteada pela família Jacobsen. A empresa é composta por três irmãos.
Safra de laranja
A safra de laranja do cinturão citrícola de São Paulo e Minas Gerais, que atende à indústria de suco do Brasil, ficará ligeiramente acima da projeção inicial para este ano, mas ainda assim será menor que a registrada na temporada passada, segundo avaliações de integrantes do setor.
Segundo o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) a safra 2015/16 da principal região produtora está estimada em 286,14 milhões de caixas de 40,8 quilos.
DCI
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