quinta-feira, 22 de dezembro, 2016

Movimento surpreende lojistas, mas natal ainda será da 'lembrancinha'

Na área da rua 25 de Março, um dos maiores centros de comércio popular do país, o gasto do consumidor caiu pela metade em relação ao ano passado. "Quem gastava R$ 300 agora está gastando R$ 150 em média", diz Claudia Urias, assessora executiva da Univinco, entidade que representa 4.500 lojistas com atuação na região. Endividadas, as famílias estão cortando onde dá, e nem o apelo natalino está conseguindo convencê-las a abrir mais a carteira.

"Na nossa família fazemos todo ano uma vaquinha para a festa de Natal, que inclui o presente das crianças, a ceia e um amigo-secreto. Neste ano, não vai ter amigo-secreto", conta a professora Vivian Cristina da Silva, 32, que saiu de Diadema para ir à região da 25 de Março fazer as compras. Na casa da pedagoga Patrícia Barros, 38, os adultos ainda ganharão alguma coisa, mas barata. "Presente só para criança. Pais, irmãos e cunhados vão receber lembrancinha", diz.

Segundo os lojistas da região, a economia do consumidor é visível. Mesmo quem compra brinquedos está optando por produtos mais em conta, afirmam os comerciantes. "No ano passado foi ruim e neste está pior. Os consumidores estão procurando brinquedos mais baratos", diz Verônica Nascimento, gerente da unidade Basílio Jafet da Semaan. Os camelôs também notaram diferença. "Parece que eles [os compradores] estão com medo de se endividar. Antes passavam o cartão, parcelavam e agora a maioria vem com dinheiro", diz Regiane Gomes.

Apesar do clima ruim, o brasileiro não deixou de ir às compras. O movimento surpreendeu os lojistas, que contavam com um fim de ano fraco, seguindo a tendência geral de 2016. O pico das compras foi no sábado (17), quando mais de 1 milhão de pessoas passaram pelo comércio da região central de São Paulo, de acordo com estimativa da Univinco. Durante a semana, entre 800 mil e 1 milhão de pessoas circularam na área. Pessimistas, os comerciantes não haviam se preparado para esse nível de procura. Apenas 20% dos associados à Univinco fizeram contrações para o fim de ano, diz Urias. A alta temporada de vendas costuma impulsionar a abertura de vagas temporárias no varejo, mas a recessão freou o ânimo do setor.
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