quarta-feira, 21 de dezembro, 2016

Portfólio da P&G cai pela metade em dois anos

A opção por ter menos produtos, para simplificar a gestão, foi tomada pela matriz da P&G em 2014. Na época a companhia vendeu a Duracell para a Berkshire Hathaway; transferiu 43 marcas de artigos para cabelo à Coty, incluindo Wella e Koleston. E no Brasil, a pomada Hipoglós foi vendida à Johnson & Johnson.
Nas mãos de Alberto Carvalho, presidente da empresa, no Brasil, o portfólio caiu pela metade, em dois anos, 650 itens. O absorvente feminino Naturella, por exemplo, saiu do mercado, deixando espaço para a marca Always, mais conhecida. Pantene, que tinha 14 tipos de produtos diferentes para limpar e tratar cabelos, agora tem de 6 a 8. A empresa reduziu as promoções, aumentou o foco em marcas de maior preço e ampliou a presença dentro do ponto de venda - com os produtos dispostos em espaços diversos, não apenas na gôndola reservada à categoria - e em maior número de lojas. A P&G está, atualmente, em mais de 7 mil lojas no mercado brasileiro.
Foco nas marcas mais fortes
Carvalho, embora tenha que lidar com um portfólio de mais de 600 itens, foca em 10 marcas mais fortes. Pantene, de produtos para cabelo, é uma delas. Esta marca cresceu mais de 30% no ano fiscal terminado em junho. A australiana Aussie mira a consumidora que quer gastar mais para cuidar dos cabelos. Apesar do câmbio, que deixou os itens importados da Aussie mais caros, as vendas crescem a tal ritmo que Carvalho cogita iniciar sua produção no Brasil - o martelo será batido ao fim de 2017. O xampu da Ausiie chegou a custar R$ 54,90 neste ano, devido ao dólar forte. Hoje custa R$ 39,90.
No mercado fraldas, a disputa é acirrada. Segundo a Nielsen, Pampers, da P&G, manteve a liderança do mercado de fraldas em 2015, com 29,1% das vendas, enquanto a Huggies teve 28,5%. Para a Euromonitor, a Kimberly-Clark ultrapassou a P&G em 2015, com 27,3%. A Pampers teria ficado com 25,9%.
Carvalho diz que neste ano Pampers ganhou mercado com uma fralda nova, que contém um gel para absorção mais uniforme.
No grupo das dez marcas principais da P&G, a Gillette ocupa lugar especial. É líder de mercado no Brasil com mais de 80% das vendas de aparelhos de barbear - deve crescer mais de 20% no atual ano fiscal. O amaciante Downy e o sabão Ariel são o foco no segmento de limpeza de roupas e a Oral-B, em cuidados bucais.
Fabricação de Ariel será interrompida
A fábrica em São Bernardo do Campo (SP), que produz sabão em pó e amaciante, será fechada em quatro meses. O sabão em pó Ariel deixa de ser produzido neste mês de dezembro, substituído pela versão líquida; a linha de amaciantes Downy será produzida até abril na unidade, antes de ser realocada para Louveira. No Brasil, o sabão em pó é 59% do mercado de detergentes para roupas. O tipo líquido responde por 19%. A líder de mercado é a Unilever, fabricante de Omo, que pretende manter a aposta no sabão em pó por conta da queda de renda do consumidor.
Futuro
"Continuamos positivos em relação ao negócio porque o modelo que adotamos vem funcionando há três anos", diz Carvalho, que agora está trabalhando no orçamento para 2017. Já está definido que a fábrica que produz cremes dentais da marca Oral-B, em Seropédica (RJ), será ampliada. Inaugurada em 2015, ela tem 14 mil metros quadrados de área construída e emprega 200 pessoas.
Supermercado Moderno
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