sexta-feira, 05 de agosto, 2016

Apps facilitarão negócios na Olimpíada

São Paulo - Prestes a movimentar R$ 2,6 bilhões durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, os turistas que passarem pelo Rio de Janeiro devem encontrar uma malha de serviços bem mais preparada - e também conectada - do que aquela existente há dois anos, durante a Copa do Mundo no País.
De acordo com a Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur), 1 milhão de visitantes devem desembarcar na cidade para participar do megaevento esportivo: a maioria (650 mil) terá outros estados brasileiros como origem, mas cerca de 350 mil turistas serão estrangeiros - algo que tem estimulado a adequação em diversos segmentos da prestação de serviços.
A 99Táxis é uma das empresas que vivem o momento. "Vamos ter mais de mil motoristas bilíngues", revela o gerente de relações públicas do aplicativo de intermediação de corridas, Ricardo Kauffman. A expectativa da 99 para o evento é ambiciosa, já que eles aguardam pelo menos 30 mil corridas diárias a mais do que o volume observado no período normal. "A ideia é que seja possível solicitar motoristas que falam inglês ou espanhol pelo aplicativo", diz Kauffman.
Segundo a empresa de tecnologia, mesmo os cadastrados que só falam português deverão estar mais bem preparados durante o evento. "Fizemos uma parceria com o Google Tradutor para treinar esses motoristas", conta o executivo. Realizada em maio, a ação atendeu durante um mês uma média diária de 150 profissionais, que assimilaram conceitos básicos do inglês. Preocupação semelhante foi demonstrada pela 'concorrente' Uber, que juntou forças com o app de ensino de línguas Duolingo com um propósito semelhante.
A importância gigantesca dos aplicativos de serviços durante os Jogos também motivam maiores esforços por parte das empresas de telefonia: Claro e TIM, por exemplo, prepararam pacotes pré-pagos exclusivos para estrangeiros, que incluem até mesmo atendimento trilíngues.
A disponibilidade de sinal também tem passado por mudanças: a própria TIM - considerada a prestadora de 4G mais instável de acordo com a OpenSignal - foi considerada a prestadora mais confiável em solo carioca pela firma independente de aferição Global Wireless Solutions, oferecendo 87% de disponibilidade nas locações que receberão eventos e 78% nos principais pontos turísticos, seguida de perto pela Claro (86% nas locações dos Jogos e 79% nos cartões-postais). Vivo (83% e 66%) e Oi (73% e 55%) também tiveram seus serviços medidos. As regiões de Copacabana e do Sambódromo são as melhores atendidas.
Locações
De acordo com relatório da consultoria IHS Markit, os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro foram os principais responsáveis pela contração mais lenta observada no Índice de Atividade de Negócios (PMI) do setor de serviços. "A desaceleração foi em parte devida ao aumento na entrada de novos trabalhos tanto na categoria intermediação financeira [câmbio] quanto na de hotéis e restaurantes, o que os entrevistados vincularam aos Jogos Olímpicos do Rio" afirmou o relatório da empresa.
Principais indutores da melhora e responsáveis por investimentos volumosos na preparação para os Jogos (R$ 10 bilhões nos últimos seis anos, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira do Rio de Janeiro, ou Abih-RJ), os hotéis da cidade, entretanto, deverão enfrentar a concorrência de uma aplicativo: o serviço on-line para reservas de acomodações compartilhadas Airbnb.
"No evento [a Copa do Mundo de futebol] de 2014 havia cerca de 19 mil anúncios na cidade do Rio de Janeiro, enquanto, agora, na Olimpíada, há mais de 38 mil anúncios e mais de 66 mil hóspedes com reserva confirmada até o momento", afirmou, em nota ao DCI a empresa. Segundo o Airbnb, as reservas devem gerar uma receita de R$ 247 milhões no período (em 2015 inteiro foram movimentados R$ 530 milhões). O preço médio de reserva praticado é de R$ 536 - as locações normalmente abrigam três pessoas.
A plataforma comparadora de preços de hotéis, locação de carros e passagens aéreas Kayak, por sua vez, reporta um preço médio bem maior nas reservas de hotéis, de R$ 1.448. No mesmo período do ano passado esse valor somava R$ 791.
"Os estrangeiros têm menos problemas de pagar esse valor, pela conversão de moedas", avalia o diretor do Kayak Brasil, Kaio Philipe. Segundo ele, são os norte-americanos aqueles que mais recorrem à plataforma: das dez cidades mais 'interessadas' pela edição de 2016 dos jogos, sete estão nos Estados Unidos; São Paulo, a francesa Paris e a alemã Frankfurt completam o ranking, que tem Nova York como líder. A estimativa é que haja 48 mil quartos de hotel disponíveis na ocasião.
Off-line
Não só as empresas de tecnologia devem se favorecer da data. A norte-americana Hertz, por exemplo, também tem altas expectativas. De acordo com o presidente da empresa no Brasil, Luciano Bianchi, a previsão é de um faturamento 30% maior, em comparação a um período comum. "Por ser uma marca forte e conhecida fora do Brasil, a Hertz deve ter destaque na locação de carros pelos estrangeiros", diz Bianchi. Para suprir a demanda dos Jogos a companhia diz ter aumentado a frota de carros e funcionários. "Abrimos também uma loja nova na Barra da Tijuca", conta.
DCI
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