quarta-feira, 06 de dezembro, 2017

Amazon desembarca na Austrália e preocupa varejistas locais

A poucas semanas do Natal, a gigante americana digital Amazon desembarcou nesta terça-feira (5) na Austrália, preocupando o comércio varejista local, que luta para reduzir seus custos e aumentar suas ofertas on-line.
A chegada do gigante – antigo vendedor de livros, atualmente uma das maiores empresas do mundo – ao país-continente ameaça o apático mercado local, devido à prudência dos consumidores e ao escasso crescimento dos salários
A Amazon oferece aos consumidores “milhões” de produtos de marcas australianas populares. Algumas pequenas e médias empresas nacionais já estão na Amazon Marketplace, que permite a outros distribuidores vender no site da companhia americana.
O comércio digital representa apenas entre 8% e 13% das vendas totais na Austrália. Isso mostra um potencial de crescimento estimado em cerca de 300 bilhões de dólares australianos anuais (226 bilhões de dólares).
“Acreditamos que a chegada da Amazon à Austrália certamente será um sucesso”, declararam analistas da UBS.
O país “é um mercado atraente, onde a venda on-line está sub-representada”, completou.
Segundo o analista Kim Do, do IBISWorld, é possível que o gigante americano seja capaz de absorver seus prejuízos iniciais e incremente sua cota de mercado, em detrimento de seus concorrentes locais.
Várias empresas australianas de elite já sucumbiram às ofensivas de gigantes estrangeiros como o japonês Uniqlo, ou o francês Sephora, enquanto outros tiveram que reduzir sua rede de lojas físicas.
– Banda larga –
Apesar de tudo, a Associação australiana de venda de varejo comemorou as novidades por meio de seu diretor-geral Russel Zimmerman, que destaca que a Amazon oferece uma nova plataforma para vender seus produtos.
“Com mais de 300 usuários ativos presentes no Marketplace, a maioria dos varejistas australianos enxerga nele um canal suplementar para vender seus produtos”, garante.
Mas nem tudo será fácil para a Amazon, alertam alguns analistas, que indicam as dificuldades de acesso à banda larga no país e o próprio tamanho da Austrália.
“Um dos fatos que explicam que a Austrália esteja atrasada em relação a outros países (no desenvolvimento do comércio digital) é a dificuldade ao acesso à banda larga”, segundo o escritório BMI Research.
Cerca de 57,3% da população australiana é assinante de banda larga, chegando a 60% em 2021 – enquanto em Cingapura a taxa será de 75,3%, segundo o BMI.
“Os maiores prazos de entrega devido ao tamanho do país e, por isso, os custos mais elevados de frete não são um presságio para uma empresa de ‘e-commerce'”, acrescenta.
– Diversificação –
Surgida em Seattle, em 1995, a Amazon não para de se diversificar. A empresa está presente em diversas categorias de vendas digitais, mas também em setores de supermercados naturais, alto-falantes digitais, filmes em streaming, ou na nuvem.
Ela é uma das empresas mais rentáveis do planeta, ao lado de outras gigantes da tecnologia americana, como a Apple, o Facebook e a Alphabet, matriz da Google, com um lucro de 256 milhões de dólares no terceiro trimestre deste ano.
Exame - 05/11/2017
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