quinta-feira, 21 de dezembro, 2017

Rua 25 de Março tem vendas e fluxo fracos às vésperas do Natal

O clima de otimismo com a retomada da economia parece ainda não ter chegado à Rua 25 de Março, polo do comércio popular da cidade de São Paulo. A menos de uma semana do Natal, as vendas de alguns lojistas estavam abaixo do registrado no ano passado, e consumidores que circulavam pela região central disseram que estão gastando menos este ano.
Um retrato claro da situação foi o movimento durante a manhã do dia 19 deste mês (como mostra a foto). Muito diferente do cenário de anos anteriores à recessão econômica, o fluxo fraco na principal rua do comércio paulistano, à véspera do Natal, não passou despercebido por consumidores e comerciantes.
“Está 50% menor do que o ano passado”, disse o gerente da Global Shoes, loja que ocupa um dos maiores espaços da região, Fernando Galhardo. Uma das consumidoras que circulava na 25 de Março, a assistente de cadastro Vanessa Ribeiro, de 36 anos, também achou a rua vazia, em relação a 2016. “O fluxo está bem menor, tanto que já consegui comprar rápido todos os presentes que eu precisava e estou indo embora”, comentou.
A movimentação fraca de consumidores nas três primeiras semanas de dezembro tem se refletido no resultado dos lojistas da região. Na Global Shoes, por exemplo, o volume de vendas do mês, até o dia 19, estava 20% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Até o dia 24, a expectativa é que o desempenho melhore um pouco, mas a loja de calçados ainda deve fechar o Natal deste ano no campo negativo, assim como ocorreu em 2016 e 2015.
“Está muito ruim o negócio. O consumidor até tem dinheiro, mas está decidindo não gastar. A confiança ainda não voltou”, afirma o gerente da unidade. Alguns quarteirões para cima, no Lojão dos Esportes, a situação estava um pouco melhor, mas também não era nenhum mar de rosas. O gerente da loja, Marcelo Macena, contou que a previsão para o Natal é fechar com estabilidade. Segundo ele, até o último domingo as vendas tinham crescido 10%, em comparação com 2016, mas tiveram uma queda significativa na segunda-feira passada, no dia 18.
Os dois lojistas esperam que os próximos dias, com as compras dos “atrasados” (consumidores que deixam para ir atrás dos presentes na última hora), reforcem o resultado do período. Segundo estudo da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 11,5 milhões de brasileiros devem fazer as compras a poucos dias do Natal.
Outro aspecto que já está ajudando um pouco as vendas é o pagamento do décimo terceiro salário, cuja última parcela foi depositada ontem pelas empresas. Tradicionalmente, os brasileiros utilizam os recursos para comprar os presentes do período natalino. É o caso da vendedora Olga Somenci, de 58 anos. “Todo o dinheiro do décimo terceiro já estou gastando com as compras do Natal. Está tudo incluso”, diz. A consumidora espera desembolsar no máximo R$ 500 com presentes, valor que seria um pouco maior ao gasto no ano passado. Olga destaca, contudo, que para gastar agora ela teve que economizar nos últimos meses, já que “o dinheiro não está sobrando.”
A vendedora é uma exceção, uma vez que outras duas consumidoras ouvidas pela reportagem estão gastando menos este ano do que o despendido em 2016. A técnica de informática, Suzana Teodoro Gonçalves, de 54 anos, é um exemplo claro. No ano passado, ela gastou mais de R$ 2 mil comprando presentes para familiares e amigos, e este ano espera gastar na ordem de R$ 500. “Acho que vou comprar 20 presentes, mas a grande maioria serão lembrancinhas, com um preço bem baixo. Ano passado gastei bem mais”, disse.
Na contramão
Na terça-feira desta semana, uma das lojas com maior movimentação na Rua 25 de Março era a Armarinhos Fernando, que vende, dentre outros produtos, brinquedos. Gerente da unidade, Ondamar Ferreira estava otimista com o desempenho: “O movimento está bom. Estamos esperando vender 8% a mais, em relação ao Natal do ano passado”, disse. Se concretizado, o resultado seria o primeiro crescimento real (descontado os efeitos da inflação) dos últimos anos, já que em 2016 as vendas do Natal subiram 4%, frente uma inflação de 6,29%.
Em relação ao tíquete médio das compras, Ferreira afirma que tem girado em torno de R$ 170 a R$ 180, o que, segundo ele, é “um valor bom para os dias de hoje”. Em 2016, o gasto médio dos consumidores na loja foi de R$ 150, cerca de 14% inferior.
Para atrair os consumidores, o varejista investiu forte em promoções e descontos. “As ofertas do Armarinhos acontecem pelas negociações que fazemos com os fornecedores. Assim conquistamos um preço diferenciado do mercado, e tudo o que conseguimos repassamos para o consumidor”, afirmou. São os preços mais agressivos do que a concorrência, explica Ferreira, que garantem a atração de um grande fluxo de consumidores para a loja no período natalino, além do perfil dos produtos vendidos, que vai de encontro com a demanda dos brasileiros para a celebração.
Visão nacional
Apesar do cenário ainda complexo visto no comércio popular paulistano, as perspectivas da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) para o Natal deste ano são positivas. De acordo com estudo realizado pela entidade, as vendas do varejo nacional devem crescer 5,2% este ano, durante o período natalino, frente ao resultado registrado no ano passado.
O desempenho seria o primeiro positivo, depois de dois anos consecutivos de retração, onde o setor acumulou uma queda de praticamente 10%. Ou seja, mesmo crescendo 5,2%, o resultado não reverteria a queda acumulada em 2016 e 2015.
Com o crescimento deste ano, a projeção da CNC é que o setor atinja um faturamento de R$ 34,9 bilhões com as vendas do mês de dezembro, com destaque para as vendas dos setores de hiper e supermercados (R$ 11,8 bilhões), de lojas de vestuário (R$ 9 bilhões) e artigos de uso pessoal e doméstico (R$ 5,1 bilhões). Juntos, os três ramos devem responder por 74% do faturamento com as vendas natalinas. Em termos de avanço, o maior será no segmento de eletrodomésticos (alta de 17%).
DCI - 21/12/2017
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