terça-feira, 09 de janeiro, 2018

Custos estáveis estimulam alta da produção de ovos no Brasil

A produção de ovos em 2018 deverá crescer entre 5% e 6% em relação ao ano passado, segundo estimativa da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), que leva em conta a expectativa de retomada da economia e a manutenção dos custos de produção.
Caso a previsão da entidade se confirme, neste ano a produção deverá alcançar até 42,2 bilhões de unidades no Brasil.
Para o vice-presidente e diretor de mercados da ABPA, Ricardo Santin, o preço do milho – um dos principais insumos da avicultura – deverá permanecer em patamares próximos dos atuais, o que favorece o aumento da produção. Segundo ele, em 2017 o valor ficou na casa dos R$ 27 a saca de 60 quilos e, neste ano, o custo deve ficar próximo dos R$ 30 a saca.
“O preço já foi bastante positivo no ano passado, com a oferta abundante de milho e farelo de soja. A expectativa é que em 2018 o cenário para as cotações se mantenha assim.”
De acordo com dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, no Paraná, por exemplo, os produtores gastaram no ano passado 25,9% a menos com este insumo em relação a 2016.
O diretor executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo Santos, afirma que a tendência para o setor é de crescimento, mas com cautela. “Estamos em um momento de alerta. Fatores como instabilidade econômica e política podem levar a uma redefinição de planos, mas a produção deve crescer.”
A favor do setor, segundo ele, estão as melhorias nas condições de produção, motivadas por mudanças na lei. Até o dia 27 de novembro, os produtores de ovos se enquadravam na modalidade de inspeção de Estabelecimento Relacionado (ER) e podiam vender ovos para todo o País. Com a publicação do novo Regulamento da Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa), esta modalidade foi extinta, e os produtores registrados nesta categoria tiveram que optar entre migrar para a inspeção estadual ou municipal ou aderir ao Sistema de Inspeção Federal (SIF).
“Estamos em uma fase de maior industrialização dos ovos e, ao mesmo tempo, as granjas estão investindo mais em modernização e adoção de processos de qualidade por causa de mudanças na legislação.”
Santin ressalta que esse tipo de mudança é positiva, visto que o segmento também sofreu os abalos de imagem após a operação Carne Fraca, por estar dentro do mesmo sistema de produção e fiscalização. “Ainda assim, o mercado para o produto foi bastante positivo”, avalia.
O cenário favorável segue um 2017 de retomada para o setor. No período, a produção brasileira de ovos cresceu 1,8%, para 39,9 bilhões de unidades. O faturamento atingiu R$ 11,08 bilhões.
Conforme o dirigente, ao longo do ano passado houve um equilíbrio de oferta e demanda, o que fez com que os preços ao produtor se mantivessem em patamares positivos – entre R$ 75 e R$ 80 a caixa com 360 ovos. Conforme o Cepea, na maioria das praças pesquisadas, os preços estiveram acima do registrado em 2016.
Na avaliação do gerente de carotenoides da DSM na América Latina, José Francisco Miranda, em 2017 o período pós-quaresma – no qual o consumo normalmente recua – foi marcado pela demanda mais firme pela proteína do que o habitual.
O consumo per capita ao longo do ano passado foi de 192 unidades no País, segundo a ABPA. “A intenção no Brasil é ampliar o consumo por pessoa para 260 ovos em 2020 com o aumento da produção e estímulo ao consumo. Muitas vezes o produtor segura a sua atividade para não depreciar o preço”, afirma Miranda.
No Rio Grande do Sul, o projeto Ovo RS, que orienta produtores para qualificar a produção e promove o consumo junto à população, já conseguiu ampliar para 227 ovos por pessoa o consumo anual na região.
Exportação
Se no mercado interno 2017 foi um ano positivo, as exportações de ovos não foram tão favoráveis. Os embarques encerraram o período com 5,8 mil toneladas, retração de 44% em relação a 2016. Em receita, o recuo deve atingir 42,5%, para US$ 8,1 milhões. “É fato que os embarques diminuíram, mas também precisamos considerar que a base é muito baixa; as exportações caíram de 0,6% da produção para 0,3%, justamente pelo fato positivo de que o consumo interno se qualificou”, justificou Santin. Para 2018, a ABPA espera que abertura do mercado da África do Sul ajude a ampliar os embarques, mas a entidade ainda não projeta volumes.
Atualmente, os principais destinos do produto brasileiro são os Emirados Árabes, o Japão, o Uruguai e a Arábia Saudita. Destes, apenas o Uruguai ampliou as compras, em 2%, no último ano. No período de janeiro a novembro de 2017, os Emirados Árabes reduziram as aquisições em 54% na comparação com igual intervalo do ano anterior.
O setor ainda tem pela frente o desafio de atender à demanda por uma produção mais sustentável. Segundo Miranda, 90% das galinhas que põem ovos (poedeiras) são mantidas em gaiolas no Brasil, 8% em galpão e apenas 2% são criadas no “livre pastoreio” – ou free range.
Essa pressão começou a ganhar mais força há cerca de um ano e muitas cadeias de fast food passaram a se posicionar sobre o tema. “Nessas redes, o ovo não é o principal produto, então os produtores da proteína conseguem se reorganizar para atender dentro das condições exigidas sem a necessidade de alterar todo o sistema de produção”, ressalta o executivo. “O uso da gaiola não é necessariamente ruim. A imagem negativa desse sistema vem do fato de que existem produtores que não respeitam as regras para o uso de gaiolas”, argumenta.
Ele destaca que a mudança do sistema de produção por si só não garante a criação mais adequada dos animais.
DCI - 09/01/2018
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