segunda-feira, 29 de janeiro, 2018

Em busca de economia e segurança, varejo online adota lockers

Comprar online e retirar a encomenda em um armário instalado em ponto estratégico da cidade. Assim funciona a entrega por meio dos chamados "lockers", modelo popular nos Estados Unidos e na Europa, que começou a ganhar fôlego no Brasil neste ano. Na experiência internacional, a ideia é reduzir custos de frete e oferecer mais conveniência ao cliente. Por aqui, as varejistas têm um incentivo a mais para adotar a tecnologia: driblar as dificuldades impostas pela falta de segurança pública, que muitas vezes impede que o produto chegue diretamente à casa do cliente. O problema é particularmente grave no Rio, onde, segundo um estudo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), os 10.599 roubos de carga registrados em 2017 causaram um prejuízo de R$ 607,1 milhões. A expectativa do setor é que a modalidade de entrega deslanche no país após a Via Varejo, dona das Casas Bahia e do Ponto Frio, iniciar seu projeto piloto em São Paulo. A empresa instalou quatro armários na capital paulista e planeja para o mês que vem estrear uma operação semelhante no Rio. A ideia é que os pontos de coleta fiquem em locais estratégicos da cidade. Em São Paulo, a varejista opera em parceria com os postos Ipiranga, que abrigam os armários. Para retirar a encomenda, basta informar um código no terminal de autoatendimento. "Como os lockers foram recém-implementados em quatro postos de São Paulo, ainda estamos em fase piloto do projeto, mas temos a previsão de expandi-lo para outras regiões já no próximo mês. O que está definido é que o Rio de Janeiro será a segunda cidade que receberá o serviço e a velocidade dessa extensão vai depender da maturidade dos testes que estamos realizando", diz Flavio Salles, diretor de multicanalidade da Via Varejo. "Os lockers são tendências para implantar o 'omnichannel' [multicanal, integração entre operações online e físicas], independentemente da questão da segurança. É uma ferramenta que ajuda as operações de e-commerce a atuarem com entrega de forma descentralizada e mais barata. No e-commerce, o que tem de mais caro é a última milha até a porta do cliente. Para a gente, no Brasil, além de tudo é uma solução para os consumidores que vivem em regiões com restrição. O locker é uma alternativa interessante de entrega para qualquer cidade que tenha zona de risco", avalia a especialista em varejo Ana Paula Tozzi, diretora executiva da AGR Consultores. Custo De acordo com Marco Beckowski, sócio da Inpost do Brasil, o modelo precisa de volume para se viabilizar tecnicamente. Hoje, em projetos experimentais, a encomenda não sai mais barata para o consumidor. Isso deve ocorrer quando varejistas conseguirem concentrar muitas encomendas em poucos pontos de coleta, reduzindo o custo da entrega. "Só vai conseguir ser mais barato quando tiver volume. Senão, vai ter um custo extra da entrega. Se você só faz uma entrega no locker, vai ter o mesmo custo da entrega em casa, acrescida do custo do locker. A gente acredita que os grandes vão dar volume", afirma. Concorrente da Inpost, a carioca Easypost também aposta no crescimento do mercado. A empresa é parceira de varejistas como a Decatlhon e outras empresas de nicho. Hoje, opera 20 terminais no Rio e em São Paulo. Na capital fluminense, são dez, instalados em locais como shoppings e supermercados. A empresa aguarda agora a entrada de 115 novas lojas em seu sistema, por meio de uma parceria com uma companhia de logística. "O plano para 2018 é expandir para centenas de terminais no Rio e em São Paulo", afirma João Mendes Neto, diretor-executivo da Easypost. Para Gabriel Drummond, diretor da Intelipost, empresa de logística, o modelo tem potencial, mas o mercado precisará se adaptar. "Acho que tem dois empecilhos. Um deles é que os consumidores não estão acostumados. Além disso, as lojas, as transportadoras não estão prontas, e estamos falando de um investimento grande para implantar. Mas uma vez implantado, vai ser muito conveniente para algumas pessoas", avalia.
Supermercado Moderno - 26/01/2018
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