quarta-feira, 10 de outubro, 2018

Número de fusões dentro do varejo brasileiro triplica no 2° tri de 2018

(Matéria atualizada para correção de informação. Segundo a assessoria de imprensa da Bioritmo, a empresa não iniciou as atividade com foco em crossfit e ciclismo, como informado anteriormente. Segue a íntegra corrigida) O número de fusões e aquisições no setor do varejo triplicou no segundo trimestre de 2018 ante o mesmo período do ano anterior. Segundo especialistas, o movimento entre os players mostra o amadurecimento e a capacidade de readequação frente às oscilações na economia do Brasil nos últimos anos. Os dados, levantados por uma pesquisa realizada pela consultoria KPMG, revelam que os nichos com maior ocorrência deste tipo de operação foram os mercados de petshop, redes de farmácias e academias de ginástica.“Das dez transações verificadas no segundo trimestre de 2018, seis foram domésticas. Esses segmentos já vinham se consolidando com o tempo”, afirmou o líder de varejo e consumo da KPMG Brasil, Guilherme Nunes.A título de informação, em 2017, o mercado pet faturou R$ 20,3 bilhões no ano passado, avanço de 7,9% ante 2016. Na mesma base de comparação, o segmento de farmácias, segundo a Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), registrou alta de 9% na receita – chegando a R$ 44,4 bilhões no período. “Como o mercado está em constante transformação, os líderes dessas organizações sabem que precisam, cada vez mais, ocupar espaço e se manter no topo da preferência dos consumidores”, complementou o executivo.Na mesma linha de raciocínio, o sócio-diretor da consultoria GS&Consult, Alexandre van Beeck, lembra que esses segmentos foram justamente os menos afetados pela crise, mantendo a capacidade de crescimento por meio de uma reformulação nos modelos de negócio. “Eles demonstraram muita resiliência, migrando para outros formatos e atendendo um perfil de consumidor que tem mudado nos últimos anos”, afirmou ele.Para Beeck, como consequência desse movimento de adaptação, também surgem os players que não foram ágeis o bastante para mudar e acabaram se tornando uma “boa oportunidade” de negócio às redes em processo de expansão. “Podemos ver versatilidade, por exemplo, no segmento de academias de ginástica com a proposta da rede Smartfit voltada para a acessibilidade no preço”, mencionou.Ainda nesse sentido, o especialista lembra que a especialização por parte desses negócios em determinadas atividades físicas foi um “trunfo” no período de recessão e pós-crise. “Redes de academia começam a abrir unidades mais específicas, como por exemplo, a Bioritmo. Dessa forma conseguiram ter um público fidelizado e um valor diferenciado, vendo oportunidades em novos formatos e desejos”, argumentou Beeck.Para ele, o consumidor tem buscado cada vez mais flexibilidade no processo de atendimento e oferta de novos produtos. O especialista cita o esforço do setor de farmácias para “rentabilizar cada metro quadrado das lojas e fornecer maior conveniência online para seus clientes e a jornada de consumo de cada um deles”.Reação inicialPara a especialista em varejo da consultoria empresarial Blue Numbers, Camila Pacheco, o mercado de petshops é outro exemplo de nicho capaz de absorver redes pequenas que não conseguiram se sustentar durante os últimos anos. “É bem natural que movimentos como esses aconteçam em segmentos como este. Isso também sinaliza uma recuperação inicial da economia brasileira e fortalecimento do mercado interno”, disse ela.De acordo com a especialista, as taxas de crescimento do mercado pet nos últimos anos evidenciam o comportamento social e apreço da população brasileira em relação aos animais de estimação. Além disso, Camila lembra que, por ter adquirido um porte grande nos últimos anos, esse segmento tem mais condições de se reformular, buscando novos formatos e operações regionais.No entanto, Camila destaca que o amadurecimento do mercado brasileiro não necessariamente resultar num maior movimento de investidores internacionais, tendo em vista a indefinição eleitoral.“Embora exista tendência de crescimento para esse ano, a recuperação, de fato, do varejo ocorrer somente no meio de 2019”, ponderou.
DCI - 09/10/2018
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