segunda-feira, 12 de novembro, 2018

Consumo decepciona e produção do setor têxtil fica estagnada em 2018

O setor têxtil teve um 2018 abaixo das expectativas e projeta que o ano vai se encerrar com estagnação. Mesmo as encomendas de final de ano não devem ser suficientes para alterar o quadro. “Foi um ano frustrante. Trabalhávamos com uma visão de crescimento de 3% a 4% na produção e 5% a 6% no varejo, mas isso não se consolidou. Devemos terminar o ano no zero a zero, na melhor das hipóteses”, declarou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel. O dirigente aponta vários motivos para o desempenho negativo. “O crescimento não veio por várias razões: greve dos caminhoneiros, Copa do Mundo e melhora do crédito, que desviou o consumo para bens de valor mais elevado, como televisores. Também não podemos ignorar o clima, já que o inverno neste ano não teve um frio constante e isso afetou o consumo das coleções.”O CEO da Nilit, Paulo de Biagi, aponta que após um bom desempenho nos dois primeiros meses do ano, ocorreu uma parada geral no mercado. “O câmbio explodiu e houve falta de matéria-prima. O ano será um dos anos mais negativos desde 2014, em termos de resultados financeiros.” Ele explica que o volume de vendas não foi ruim, mas os custos comprometeram as margens. “A empresa cresceu, mas o mercado não. Ficou estagnado.”Fabricante de fios de poliamida (nylon), a empresa enfrentou os impactos da valorização da matéria-prima. “Por conta de adequações ambientais, a China fechou muitas fábricas, reduzindo a oferta de poliamida. Esse aumento de preço foi potencializado pela valorização do dólar”, conta De Biagi. Ele explica que empresas do setor tiveram que reduzir seus custos, diante da impossibilidade de fazer o repasse de preço para o consumidor. “Buscamos alternativas de matéria-prima e enxugamos os custos das fábricas por meio de ações de produtividade e eficiência energética.”O diretor comercial da CTM Fios, Carlos Modolo, também avalia o ano como abaixo do esperado. “A grande maioria dos clientes teve dificuldades devido a eventos como a greve dos caminhoneiros, Copa do Mundo e eleições. Esses três fatores, mais a questão cambial, afetaram o mercado.”De acordo com Modolo, com exceção do algodão, todos os insumos impactaram fortemente o dólar. “O começo da cadeia sofre, não consegue repassar o preço para o elo seguinte, que são as malharias.” Ele ressalta que a desvalorização do real também traz um ponto positivo. “O varejo tende a importar menos, concentrando as compras na indústria nacional e a cadeia fica mais oxigenada.” Modolo aponta que também seria importante mais equilíbrio nas importações. “Deveria haver mais dificuldades para trazer o produto pronto e facilitar a entrada da matéria-prima que não existe aqui e máquinas e tecnologias para produção.” Ele também destaca que as importações ilegais continuam sendo um problema. “Esses produtos entram no País sem arrecadação e prejudicam a indústria formal.” O executivo declara que a empresa não irá crescer em 2018. “Infelizmente, não atingimos nossa meta.”Expectativas De Biagi acredita que 2019 será mais positivo. “Ficamos otimistas pela situação política que passou, pelas intenções apresentadas pelo novo governo de reduzir déficit e realizar as reformas. Mas não esperamos nenhum milagre, porque o problema é grande.” O executivo afirma que é preciso esperar para conhecer quais medidas econômicas serão implementadas pelo próximo governo federal. “Veremos quais os efeitos na redução da dívida e geração de emprego, fazendo a economia girar. Temos otimismo, mas sem euforia, o crescimento não deve ser muito grande, de 1% a 2%.”Modolo prevê que, com estabilidade econômica, o mercado voltará a investir em 2019. “A movimentação econômica atinge toda a cadeia.”
DCI - 12/11/2018
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