segunda-feira, 05 de novembro, 2018

Mercado de suplementos inova na oferta e deve crescer 8,5% em 2018

O mercado de suplementos alimentares, que movimenta cerca de R$ 1,5 bilhão, continua crescendo mesmo diante da queda do poder de compra do brasileiro. Com lançamentos de produtos que vão do whey protein orgânico às barras de chocolate sem açúcar e com adição de proteína, fabricantes estão registrando crescimento de até 30% na receita. O mercado brasileiro é o terceiro maior do mundo, mas segundo a Associação Brasileira dos Fabricantes de Suplementos Nutricionais e Alimentos para Fins Especiais (Brasnutri), apenas 5% da população consome produtos do gênero. “O sucesso do suplemento alimentar no País independe das eleições. Há um enorme potencial de crescimento”, afirma o presidente da entidade, Synésio Batista da Costa. A Supley Laboratórios, dona da Max Titanium e da Probiótica (concorrente adquirida neste ano), projeta avanço de 10% da receita para 2018. A estratégia passa pela oferta tanto de produtos de maior valor agregado quanto aqueles mais populares. “Temos os dois posicionamentos. O mercado está pouco receptivo a mudanças de preços”, declarou ao DCI o CEO do grupo, Alberto Moretto. Ele conta que na crise muitos consumidores que compravam marcas importadas passaram a investir nas nacionais. “Percebemos uma migração de categorias, mas o produto mais barato sempre existiu, sem perda alguma de benefícios.” O diretor de marketing da Atlhética Nutrition, Eduardo Mondini, explica que além da preocupação com a saúde em geral, o consumidor tem buscado produtos com menos componentes artificiais. “Os itens chamados ‘clean label’ já representam cerca de 10% das nossas vendas e nós vamos atuar nas duas categorias”, assinala o executivo, destacando, porém, que o grande volume do mercado ainda vem das classes C e D. Com fábrica em Matão (SP), a empresa sofreu como todo o mercado com a alta do dólar, já que aproximadamente 90% dos insumos do setor é importado. “Nenhuma marca está conseguindo repassar aumento de custos. As margens estão muito comprimidas.”A projeção da Atlhética é de um crescimento entre 25% e 30% para este ano, com foco em maior distribuição e marketing, o que inclui influenciadores digitais. Além disso, conta Mondini, a marca está entrando em linhas de snacks e chocolates proteicos. “Trouxemos a ‘indulgência’ para este mercado, como por exemplo, o sabor do brigadeiro gourmet ao whey protein.” A Supley também aposta em snacks como forma de aumentar a receita da empresa. Um deles é o pacote de Wafer Protein Mini, que contém pedaços de wafer com chocolate adicionado de whey protein, mas sem adição de açúcares. “O produto pode substituir o lanche”, esclarece Moretto.O CEO da Integralmédica Suplementos Alimentares, Filipe Bragança, relata que a empresa deve crescer 15% neste ano. “Além de investimentos em marketing, estamos constantemente lançando novos produtos.” Uma das linhas mais recentes da companhia é a de barras de proteína veganas, livres de lactose, glúten e outros alergenos.O executivo afirma que o ânimo dos lojistas já está melhorando e que há uma demanda reprimida. “O brasileiro vai continuar consumindo suplementos alimentares e nós estamos preparados. Somos uma empresa conservadora, mas fizemos a lição de casa e continuamos investindo.”O presidente da Brasnutri ressalta que a recente publicação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que esclarece a diferença entre remédios e suplementos alimentares, vai ajudar muito o setor, já que desburocratiza de forma significativa a atividade. Hoje, o Brasil conta com cerca de 70 fábricas, sem contar as dezenas de marcas importadas.“Temos empresas de todos os portes e preços para qualquer bolso. Nosso parque industrial está pronto para atender com volume e qualidade”, garante Costa.Público-alvo Antes praticamente uma exclusividade dos frequentadores de academias de ginástica, as proteínas também têm como alvo idosos e crianças. “Essas categorias vêm crescendo muito e com a recomendação por parte de médicos e nutricionistas, o mercado cresce cada vez mais”, pontua Moretto.Com nomenclatura de “complemento” para o público infantil, a categoria é uma promessa. “Está acontecendo uma mudança de comportamento do consumidor e nós vamos aproveitar”, destaca Mondini.
DCI - 05/11/2018
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