sexta-feira, 14 de dezembro, 2018

Cabeleireiro é prestação de serviços que mais cresceu entre 2008 e 2018

Mais de 125 mil cabeleireiros iniciaram operações ou se formalizaram no Brasil desde 2008. No intervalo, verticais de prestação de serviços como entregas rápidas (34,6 mil empresas) e atividades domésticas (32,4 mil) também se popularizaram. Prestadores de serviços de alvenaria (77,1 mil), de promoção de vendas (69,8 mil) e de instalações elétricas (32,8 mil) são outras categorias que registraram crescimento exponencial de 2008 para cá. As informações foram compiladas pela empresa de inteligência de mercado Empresômetro a partir de bases públicas de dados como a mantida pela Receita Federal.Segundo especialistas consultados pelo DCI, uma série de fatores contribuiu com a explosão do número de prestadores de serviços no País. Assessor econômico da FecomercioSP, Altamiro Carvalho recordou que o cenário de desemprego e desalento evidente desde 2014 incentivou muitas tomadas de decisão em favor do empreendedorismo por necessidade.Já o consultor do Sebrae-SP, Diego Smorigo, relembrou que muitos “novos” empresários tiveram a facilidade do regime de microempreendedor individual (MEI) como incentivo. “Em muitos negócios do ramo de serviços há baixa barreira de entrada e o único custo de operação é você [o proprietário]. É diferente de uma loja, onde é preciso se preocupar com aspectos como estoque ou local físico”, argumentou. “Existem diversas alternativas para quem tem especialização”, prosseguiu Altamiro Carvalho.No caso específico dos cabeleireiros, contudo, um fato isolado contribuiu para um salto tamanho no número de novos negócios em dez anos. “Há cerca de dois anos a Lei do Salão Parceiro formalizou a relação entre cabeleireiros profissionais e proprietários de salões. Com isso, aumentou muito número de formalizações nesse mercado”, explicou Diego Smorigo. “Além disso, a quantidade de barbearias que foram abertas nos últimos anos puxou esse indicador para cima”, adicionou o consultor do Sebrae-SP. “Sem contar que é um serviço simples de se abrir, com equipamentos que não são caros”, completou Carvalho. “Existe toda uma tendência de gastos com estética ganhando uma relevância muito grande no orçamento das famílias”. Não à toa, os dados do Empresômetro indicam que outras atividades de serviços vinculadas à estética receberam 36,1 mil novos negócios durante a última década. Foi também uma mudança na legislação que permitiu o crescimento da vertical de serviços domésticos no intervalo – neste caso, a Lei Complementar nº 150/2015, que garantiu direitos para trabalhadores regulamentados dentro da área. Já no caso dos serviços de entrega rápida, a popularização do e-commerce e de diferentes aplicativos de delivery podem ter contribuído com o movimento.Entre os líderes na abertura de novos negócios no ramo dos serviços, ainda há espaço para transportadores rodoviários de cargas regularizados (27 mil CNPJs desde 2008 se desconsiderados os que lidam com produtos perigosos), empresas especializadas em treinamento profissional e gerencial (26,4 mil), em marketing direto (25,9 mil), na organização de feiras ou congressos (25,4 mil) ou na pintura de prédios e edifícios (21,5 mil). DesafiadorApesar do ingresso no ramo de serviços ser considerado menos complexo por especialistas, o desafio de manter uma prestadora em pé não é diferente na comparação com outros setores. Vale lembrar que em 12 meses até setembro, o volume de serviços no País acumulou uma queda de 0,3%, segundo a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). Já quando são considerados apenas os nove primeiros meses de 2018, a queda é de 0,4%. Para Diego Smorigo, do Sebrae-SP, um dos reflexos trazidos pela grande quantidade de novos prestadores é justamente um cenário ainda mais desafiador. “Com uma enxurrada de gente nova chegando no mercado, a concorrência aumenta”, pontuou . Gerente de operações do Empresômetro, Horst Hunger afirmou ao DCI que, todos os dias, de 5 mil a 6 mil CNPJs (sejam elas prestadoras de serviços ou não) são incluídos na base de dados nacional compilada pela empresa. Para tal, a operação utiliza tecnologias como “robôs especializados na captura de informações”. No sentido contrário, o trabalho de exclusão de negócios inativos também seria constante. “No Brasil foram abertas 40 milhões de empresas desde que se começou a contabilizar. Destas, apenas 20 milhões estão ativas hoje”, afirmou Horst.
DCI - 14/12/2018
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