terça-feira, 03 de abril, 2018

Embarques aos países árabes devem crescer

As exportações brasileiras de alimentos aos 22 países da Liga Árabe devem crescer entre 10% a 15% em 2018, ante os US$ 9,94 bilhões negociados no ano passado, estimou ontem o secretário geral da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Michel Alaby.
“Essa é uma estimativa bem conservadora. Mas ampliar esse mercado depende do Brasil ser mais ativo, principalmente para itens com maior valor agregado”, avalia. Juntos, os países da liga importam cerca de US$ 90 bilhões em produtos alimentícios ao ano.
No entanto, a falta de um acordo sobre a exigência feita pela Arábia Saudita para que aves não passem pelo processo de insensibilização antes do abate pode afetar essa perspectiva. “Se não houver entendimento, isso pode comprometer a projeção. Mas também pode ocorrer um direcionamento desses produtos para outros mercados”, destaca Alaby.
Desde o último dia 1º de abril, as indústrias brasileiras não podem exportar carne de aves que tenham passado por insensibilização. A Arábia Saudita é o maior cliente do produto brasileiro e importou 589,9 mil toneladas do País no ano passado, com receita de US$ 1 bilhão. “O impacto dessa decisão vai demorar a ser sentido porque embarques grandes já foram despachados antes da regra, devido ao intenso fluxo de comércio para aquele país, de dois mil contêineres por semana”, afirma o vice-presidente e diretor de mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin.
Os meses de abril e maio são considerados fracos para embarques de proteína animal a esses mercados porque as importações voltadas para o Ramadã são feitas antes disso. Ele pondera que uma redução das exportações deve ser sentida em alguma medida nos resultados de abril, mas deve ocorrer com mais intensidade dentro de 60 dias. Ontem, o Brasil pediu um novo prazo de mais 60 dias à autoridade sanitária saudita para eventuais adaptações e para que as empresas possam fazer testes e se adaptarem à regra.
De acordo com o diretor de operações da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Tamer Mansour, a padronização número 993, da entidade responsável pelas regras para os negócios com os países árabes (Gulf Standard Organization – GSO), deixa claro que o atordoamento é proibido. Em recente missão à Arábia Saudita, o Brasil apresentou estudo técnico feito pela iniciativa privada em parceria com Embrapa e Universidade de São Paulo (USP) para demonstrar que a insensibilização não mata a ave, mas a deixa inconsciente, o que não consistiria em uma violação das regras do abate halal. “O Brasil terá uma resposta após a análise técnica no final de junho, na qual o GSO vai definir se permite ou não o uso da insensibilização”, afirmou Mansour. “Se pudermos mandar mais provas que possam enriquecer a posição brasileira, melhor”, disse.
Ele ainda informou que entre 5 a 9 de maio, o Brasil receberá uma missão de técnicos do Ministério da Agricultura saudita, que avaliará a retomada dos embarques de gado vivo brasileiro para aquele país. Desde o caso atípico de encefalopatia espongiforme bovina (conhecida popularmente como mal da vaca louca), registrado no País em 2012, o Brasil não pode exportar bovinos vivos para a Arábia Saudita. Segundo ele, a reabertura deve ocorrer logo após essa missão.
China
A China anunciou que irá sobretaxar as importações de carne suína dos EUA. Na avaliação de Santin, da ABPA, essa decisão abre mais uma porta para o mercado brasileiro, que desde dezembro sofre com o embargo da Rússia, um de seus principais clientes.
“São 275 mil toneladas que foram importadas dos EUA pela China em 2017. Isso pode ampliar os nossos embarques para o país asiático e pode melhorar a nossa imagem frente aos russos, uma vez que as regras sanitárias dos dois países exigem a segregação de animais que tenham recebido ractopamina”, esclarece.
DCI - 03/04/2018
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