sexta-feira, 13 de abril, 2018

Papéis de companhias de alimentos e de petróleo são os mais influenciados

Um possível aumento das medidas de retaliação comercial (tarifas) entre os Estados Unidos e a China pode provocar um ajuste nos preços dos ativos nos principais mercados de renda variável no mundo, inclusive no Brasil.
Desde 2 de abril último, quando a China retaliou os Estados Unidos com tarifas sobre 128 produtos americanos, os mercados globais perceberam um aumento da escalada nas tensões comerciais entre as duas principais potências, e reagiram com volatilidade.
Na visão de especialistas consultados pelo DCI, de modo geral, todos os mercados do mundo serão afetados por uma guerra comercial mais efetiva. No Brasil, num primeiro momento, papéis de companhias do setor de alimentos [carnes, soja] podem ser beneficiados.
“Salvo a tensão geopolítica em torno da Síria [fator de alta do barril]; os preços do petróleo no mercado internacional deveriam cair, e como a Petrobras tem forte correlação com o valor da commodity, os papéis da estatal brasileira seriam atingidos”, afirma o diretor da Liberta Global, Leandro Ruschell.
Vale lembrar que os papéis da Petrobras possuem um peso de 11,12% na composição do Ibovespa, o índice de ações da bolsa brasileira, sendo uma fatia de 4,70% nas ações com direito a voto (ON) e 6,42% nas preferenciais (PN).
Na composição do Índice Brasil 100 (IBR-x 100), os papéis do setor de alimentos para exportação estão representados por BRF ON, JBS ON, Minerva ON e Marfrig ON. No Ibovespa, a BRF ON tem peso de 1,238%, seguido por JBS ON com 1,022% e Marfrig ON com participação de 0,237%.
Na opinião de Ruschell, o risco é generalizado, mas ele ponderou que a China não tem interesse nessa guerra comercial. “Hoje, a China depende mais dos Estados Unidos, do que o contrário, e talvez vá buscar uma solução negociada”, aponta o diretor.
Mas ele alerta que “os tuítes” do presidente norte-americano Donald Trump sobre a guerra comercial com a China e sobre a Síria podem provocar muita volatilidade. “Há uma racionalidade nessa estratégia de Trump, ele age como se atuasse em seus negócios. Foi duro com a Coreia do Norte, e provavelmente o ditador Kim Jong Un acabe aceitando um acordo [com a Coreia do Sul] interessante para todo o mundo”, exemplificou Ruschell.
O diretor cita que governo Trump argumenta que a China tem acesso aos mercados internacionais, como o mercado americano e o europeu, mas, ao mesmo tempo, não dá acesso ao seu próprio mercado, tendo em vista que empresas americanas como o Google, Uber, Facebook, entre outras, foram impedidas de entrar no mercado chinês. “A China não respeita a propriedade intelectual. Empresas são usadas, há uma transferência de tecnologia de propriedade intelectual e depois as empresas chinesas vendem seus produtos utilizando essa propriedade intelectual para o ocidente sem o devido pagamento desses direitos”, pontua Ruschel.
Ele lembrou que o presidente americano baixou tarifas que envolvem uma sobretaxa de U$ 50 bilhões em vários produtos chineses. “A China respondeu num primeiro momento colocando tarifas de importação dos EUA como carne suína e outras commodities e apresentou novas tarifas numa série maior de produtos, como aviões e produtos de maior valor agregado”, disse.
Aumento das preocupações
Em relatório divulgado ontem, o diretor de operações da Mirae Asset, Pablo Stipanicic Spyer, comentou também a escalada de preocupações nos mercados globais. “O aumento da tensão no Oriente Médio, em meio a um conflito geopolítico envolvendo Estados Unidos e Rússia, por causa da Síria, soma-se a um cenário político conturbado na Casa Branca e ao cronograma do Federal Reserve (Fed), que já considera um aperto monetário mais rápido”, relatou.
“Diante dessa lista crescente de focos de tensão, os investidores voltam à defensiva, à espera de um ataque dos EUA ao regime de Assad, que pode provocar uma reação de Moscou. As principais bolsas europeias se arrastaram [ontem] após uma sessão de perdas no outro lado do mundo, onde as bolsas caíram desde Tóquio até a Austrália”, conta Spyer.
Ontem à tarde, diante de uma pausa na retórica bélica de Trump, o preço do Brent caiu 0,06% para US$ 72,02 por barril. Embora, o WTI para maio tenha subido 0,37%. No Brasil, Petrobras PN fechou em queda de 0,55%, a R$ 21,68.
DCI - 13/04/2018
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