quinta-feira, 10 de maio, 2018

Destinos com neve voltaram ao radar do brasileiro no inverno

Nem a alta do dólar, que bateu em R$ 3,60 ontem, parece abalar a vontade dos brasileiros que buscam destinos de inverno, como Argentina e Chile. Depois de um desaquecimento entre 2015 e 2016, as principais estações e destinos com neve esperam um aumento de pelo menos 10% de brasileiros neste ano. Segundo a presidente da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa), Magda Nassar, a valorização do dólar frente ao real é um fator importante, mas, por ora, os níveis observados não devem ter um impacto decisivo na hora da compra de pacotes de viagens. “As agências de viagens têm realizado mecanismos que ajudam muito, como o congelamento do câmbio no fechamento do pacote”, diz. Além disso, ela aponta que mesmo que os pacotes sejam dolarizados, muitos contratos são parcelados e, nestes casos, a diferença fica mais diluída. Para ela, se comparada à variação da moeda vista no auge da crise, esta oscilação é menor. A expectativa da Emprotur, ente misto de promoção turística de Bariloche, é de receber cerca de 43 mil turistas brasileiros entre julho e agosto deste ano, um aumento de aproximadamente 16% na comparação com o mesmo período de 2016, quando o destino argentino recebeu em torno de 37 mil brasileiros. “Em 2017 já havíamos sentido um aumento de 16% na comparação com 2016”, explicou o diretor executivo da entidade, Diego Piquím. Atualmente, o Brasil é o segundo maior emissor de turistas no destino, ficando atrás apenas dos próprios argentinos. “Há alguns anos [entre 2006 e 2008], o destino era chamado de ‘Brasiloche’ pela quantidade de brasileiros no local e a ideia é recuperar aos poucos esse público que inundava a cidade”, afirma. Segundo ele, para promover a temporada de neve no Brasil, a entidade revela que realizou investimentos que somam aproximadamente US$ 120 mil. Quem também não reduziu os aportes em ações promocionais é a tradicional estação de esqui Portillo, localizada a duas horas da cidade de Santiago, no Chile. “Os destinos não sumiram na crise. Foram com tudo e agora estão colhendo os frutos”, acrescenta Magda da Braztoa. De acordo com o gerente de marketing do Ski Portillo, Alejandro Goich, a decisão de manter os investimentos no País se deu devido à relevância dos brasileiros no local, chegando a representar entre 25% e 30% do total de turistas na temporada de neve tanto em sua estrutura de hospedagem quanto na estação de esqui. “Não adiantaria reduzir”, menciona. De acordo com ele, em 2017 a estação teve em torno de 10% de alta de visitantes, mas a base de comparação era baixa devido ao desempenho mais fraco dos dois anos anteriores. Para este ano, no entanto, a projeção é mais positiva. “Em 2017 houve uma retomada e em 2018 teremos 10% acima disso”, antecipa o executivo. Goich acredita que apesar do cenário brasileiro ainda em fase de recuperação econômica, a estabilidade projetada para o País daqui para frente tende a ajudar na confiança dos consumidores, que voltarão a viajar. Outra questão que ajudará no fluxo são as promoções para a capital do país que deverá ajudar na movimentação da estação durante o dia. A gerente de vendas do Valle Nevado Ski Resort, Rubiana Turelli, também acredita que haverá uma movimentação mais forte de brasileiros, que representam para o local cerca de 60% dos visitantes. “A temporada ainda não começou, mas as vendas estão melhores até o momento”, diz. De acordo com ela, a taxa de ocupação hoteleira do resort neste momento está 15% superior ao observado no mesmo período do ano passado. Só no day use da estação de esqui, o resort espera um aumento de 10%. Gasto médio Uma questão que deve beneficiar os destinos neste ano é a possibilidade de um gasto médio maior. “Notamos uma mudança no perfil com um aumento de buscas por sete noites e hotéis cinco estrelas. Não sabemos ainda o porque, mas vimos em 2017 e tal vez continue neste ano”, conta a gerente de vendas do Valle Nevado Ski Resort, Rubiana Turelli. Em Bariloche, o diretor executivo da Emprotur comenta que também sentiu em 2017 um perfil econômico mais elevado na cidade argentina. “O gasto médio é de US$ 150 e vimos um leve aumento no ano passado. Talvez pelo próprio cenário econômico do Brasil e o perfil de quem viajou”, explica. Magda da Braztoa explica que este tipo de movimento também ocorreu em 2016, no auge da crise brasileira, quando o número de passageiros reduziu, mas o valor do tíquete médio aumentou. “Uma classe média ou média baixa acaba não consumindo tanta viagem quanto consumiria. Já para o grupo com mais condições não altera, porque entrou como bem de consumo anual”, diz. Na opinião da especialista, a busca por neve não deve ser exclusiva do inverno da América do Sul. Para ela, a busca por locais mais gelados é uma tendência nos últimos anos também na temporada de inverno da América do norte. “O esqui tem sido bastante procurado. O que beneficia os destinos do Sul é que a concorrência é menor. Na América do norte são várias estações o Canadá, Estados Unidos e países europeus.”
DCI - 10/05/2018
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