terça-feira, 10 de julho, 2018

Valagro quer crescer 32% ao ano no Brasil com foco em grandes culturas

Com atuação no mercado brasileiro desde 1998, a companhia italiana pretende não só aumentar o faturamento proveniente da horticultura, mas também de segmentos como soja e milho. Empresa europeia deve apostar nas grandes culturas, como a soja, para ampliar sua receita no Brasil A italiana Valagro, de fertilizantes especiais para agricultura, planeja crescer 32% ao ano no País até 2022. Em um mercado que movimenta mais de R$ 5 bilhões no Brasil, a empresa pretende ampliar o número de estados atendidos e crescer em grandes culturas como soja e milho. A companhia faturou no ano passado R$ 33 milhões no País e deve chegar a R$ 50 milhões em 2018, incremento de 51%. Até 2020, a Valagro espera crescer 35% ao ano nos quatro mercados-chave para a empresa: Brasil, Índia, Estados Unidos e China. De acordo com estimativa da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo), o crescimento de fertilizantes foliares no Brasil – onde está inserida a Valagro – deve atingir 20% neste ano, para R$ 5,2 bilhões. O segmento representa 70% de todo o mercado de nutrição vegetal, que movimentou no ano passado R$ 6,3 bilhões. “Queremos avançar para a liderança”, afirma o presidente da empresa no Brasil e Cone Sul, Victor Sonzogno. A estratégia que levará a companhia a crescer acima da média do segmento tem como base a entrada nas grandes culturas, como soja, milho e algodão. Atualmente, as vendas da empresa estão calcadas na horticultura, que responde por 80% dos negócios no Brasil, enquanto as grandes culturas respondem por 20%. “Até 2020, queremos atingir 60% do faturamento proveniente de grandes culturas”, afirma Sonzogno. Essa aposta é um posicionamento global da empresa e vai ao encontro de uma tendência do mercado de buscar nos cereais um caminho para expandir o uso da tecnologia. “São culturas com desafios distintos. Enquanto nas grandes a produtividade é a maior preocupação, a qualidade é o foco na horticultura”, esclarece o executivo. Os fertilizantes especiais têm como foco reduzir o impacto de fatores abióticos como a chuva, por exemplo, na produtividade das culturas. Segundo Sonzogno, o desafio é fazer com que os produtores adotem novas tecnologias. “Hoje, há muitas empresas do segmento assediando o agricultor e ele tem dificuldade de encontrar a solução adequada para o que precisa”, complementa Sonzogno. A empresa, que está no Brasil desde 1998, também planeja expandir a área de atuação no País, hoje concentrada no Sul, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Nordeste. “Queremos chegar ao Paraná e ao Mato Grosso e reforçar nossa presença em Goiás e no Rio Grande do Sul”, destaca Sonzogno. A Valagro também planeja buscar parcerias para distribuição no Matopiba. Segundo ele, a companhia não descarta aquisições no Brasil ou globalmente. No ano passado, a empresa investiu 10 milhões de euros na unidade de produção em Pirassununga (SP), que tem capacidade para 50 mil toneladas por ano e está preparada para um eventual aumento de produção. A partir da unidade, a Valagro exporta para Chile e Uruguai. Neste ano, a Valagro aportou valor semelhante na construção de uma unidade na Carolina do Norte, nos EUA, que atenderá também Canadá e México. Biológicos A empresa deve começar a atuar na área de controle biológico no Brasil e aguarda a aprovação de registro no Ministério de Agricultura, o que deve ocorrer no ano que vem. “Os dois únicos mercados com condições de crescer acima de dois dígitos no mundo nos próximos cinco anos são o de nutrição especial e o de controle biológico, que devem avançar em torno de 22% a 23%”, afirma o diretor global de relações institucionais da Valagro, Marco Rosso. O segmento representa 2% das vendas globais da empresa, enquanto a nutrição especial responde por 50%. “Brasil e Estados Unidos devem seguir essa tendência.” A empresa adquiriu em 2015 uma unidade na Índia, a partir da qual pretende levar essa tecnologia para as demais unidades no mundo. “O desafio é fazer com que os produtores aceitem o uso de uma nova tecnologia, compreendam a necessidade de adesão e uma nova legislação, que defina o que se entende por nutrição especial no País”, diz Rosso, destacando a importância do Brasil para a matriz.
GlobalFert - 10/07/2018
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