quinta-feira, 23 de maio, 2019

Setor aéreo no Brasil precisa mais que capital estrangeiro para decolar

Com um território de mais de 8,5 milhões de km² e protagonismo na América do Sul, o Brasil poderia aproveitar muito melhor essa capacidade para incrementar o setor aéreo e se tornar referência mundial. Para além da discussão sobre o capital estrangeiro no setor, outras medidas se fazem necessárias para que o País atinja todo o potencial. A avaliação é do diretor geral e CEO da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), Alexandre de Juniac. O executivo, que esteve recentemente no Brasil, afirmou que a aviação contribui atualmente com cerca de US$ 18,8 bilhões para o PIB anual brasileiro e gera mais de 800 mil empregos no País. Para ele essa cifra poderia ser ampliada caso algumas medidas se mostrassem mais assertivas para o desenvolvimento sustentável do setor. “O maior mercado de aviação da América Latina tem um grande potencial de crescimento, principalmente em termos de conectividade doméstica e diversificação de conexões internacionais”, disse o executivo. Para ele, além da abertura do mercado para o capital estrangeiro, outras ações também são essenciais. A primeira delas, diz ele, é eliminar a política de preços de paridade de importação para o combustível de aviação. “Embora mais de 90% do combustível de aviação consumido no Brasil seja produzido localmente, devido à política regulatória local, o preço é calculado como se fosse importado do Golfo do México. Além disso, com a falta de concorrência interna no mercado de combustíveis, o custo adicional para as companhias aéreas chega a US$ 300 milhões, o que, por fim, afeta o preço das passagens aéreas”, comenta. Além disso, ele cita a expansão de uma política de liberdade tarifária, permitindo que as companhias aéreas atendam à demanda crescente dos consumidores. “Os consumidores merecem opções e as companhias aéreas estão respondendo a essa demanda oferecendo transparência nos preços e serviços personalizados. A aprovação da Resolução 400 em 2016 no Brasil permitiu que as companhias aéreas atendessem a essa demanda. A restrição dessa liberdade provavelmente causaria aumento de custos e menores opções aos consumidores.”No que diz respeito ao direito do consumidor, o Brasil também precisa avançar. Para isso, Juniac cita um alinhamento maior com os padrões globais de responsabilidade das aéreas. “Principalmente em questões como atrasos e cancelamentos de voos por motivos de força maior”. Do ponto de vista dos aeroportos, ele cita a continuidade do processo de concessões com modernização dos contratos e adaptação à realidade do País. Durante sua viagem ao Brasil Juniac teve encontros com membros do governo e de estatais do setor. “Se o governo puder trabalhar com o setor na formulação de políticas que apoiem essas mudanças fundamentais, a melhora na conectividade dará o impulso necessário às perspectivas para a economia do Brasil", disse.Segundo estimativas da entidade, a demanda global por transporte aéreo dobrará nos próximos 20 anos. Para o Brasil a projeção é que caso haja desenvolvimento do setor as empresas empreguem 3 milhões até 2037, com a contribuição de US$ 88 bilhões para o PIB do País e quase 500 milhões de passageiros por ano. "Eu digo que a aviação é o negócio da liberdade porque permite que as pessoas levem uma vida melhor, conectando famílias e amigos. A aviação é um catalisador do crescimento econômico, social e educacional”, finaliza o executivo.
DCI - 22/05/2019
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